Ya-Man reverte prejuízo e retoma crescimento com expansão global e venda direta
A fabricante japonesa de beleza Ya-Man voltou a lucrar no 1º semestre de 2026, impulsionada pelo segmento B2C e pela expansão nos EUA e na China.
A fabricante japonesa de dispositivos de beleza de alto padrão Ya-Man Ltd. divulgou seu relatório financeiro consolidado referente ao primeiro semestre de 2026, encerrado em 30 de junho. Os resultados indicam a recuperação da rentabilidade da companhia após recentes ajustes estratégicos de distribuição e portfólio.
No primeiro semestre do ano, a receita líquida da Ya-Man atingiu 13,725 bilhões de ienes (cerca de US$ 86 milhões). O lucro líquido atribuível aos acionistas da empresa-mãe somou 132 milhões de ienes (aproximadamente US$ 827,5 mil), revertendo o prejuízo de 1,196 bilhão de ienes (cerca de -US$ 7,5 milhões) registrado no mesmo período do exercício anterior. (Nota: Em 31 de dezembro de 2025, a Ya-Man alterou o encerramento do seu ano fiscal para 31 de dezembro; assim, a comparação refere-se aos seis meses encerrados em 31 de outubro de 2025).
As operações internacionais se consolidaram como a principal fonte de receita da empresa. No primeiro semestre de 2026, o segmento no exterior gerou uma receita líquida de 5,435 bilhões de ienes (cerca de US$ 34 milhões) e um lucro operacional de 331 milhões de ienes (US$ 2,08 milhões).
Nos Estados Unidos, a empresa expandiu sua presença no varejo físico e especializado, fechando parcerias com o spa de luxo Rescue Spa e ingressando em redes de varejo de estilo de vida como a Anthropologie.
Na China, um marco regulatório fundamental impulsionou a estratégia da marca: em junho de 2025, o dispositivo de tratamento facial por radiofrequência da Ya-Man obteve o registro de equipamento médico de Classe III concedido pela National Medical Products Administration (NMPA, o órgão regulador de produtos médicos e cosméticos da China). Com a aprovação oficial, a Ya-Man migrou gradualmente do modelo de distribuição terceirizada para a venda direta ao consumidor (B2C), que oferece margens de lucro mais elevadas. Em abril de 2026, a empresa fundou uma subsidiária integral em Xangai, a Ya-Man (Shanghai) Trading Co., Ltd., assumindo a operação própria de suas lojas virtuais nas principais plataformas de comércio eletrônico chinesas a partir de maio.
Essa mudança estrutural de canais reflete uma tendência mais ampla no comércio eletrônico asiático, onde a reestruturação de operações de e-commerce tem sido decisiva para otimizar a rentabilidade de marcas globais. Em relatório, a Ya-Man destacou que a transição visa assegurar controle total sobre a imagem da marca e elevar a margem operacional, ressaltando que os primeiros resultados positivos foram observados durante o festival de compras 618 — o segundo maior evento anual do e-commerce chinês.
Dados da consultoria de mercado chinesa All-View Cloud (AVC) mostram que, entre 25 de maio e 21 de junho de 2026, as vendas da Ya-Man atingiram 12,93 milhões de yuans (cerca de US$ 1,8 milhão), garantindo uma participação de 3,3% no segmento de dispositivos de cuidados faciais na China.
No Japão, a empresa registrou demanda aquecida tanto de consumidores locais quanto de turistas internacionais. O modelo multifuncional de luxo "YA-MAN THE MIYABI", que combina as tecnologias proprietárias CERTEC e radiofrequência (RF), teve forte aceitação no segmento de altíssimo padrão. Paralelamente, a máscara facial sem fio de LED e estimulação muscular "Blue Green Mask Lift" impulsionou o faturamento ao atender à busca crescente por tratamentos caseiros de efeito lifting.
Em termos de canais de distribuição globais, a divisão de televendas (home shopping) registrou receita de 1,191 bilhão de ienes (US$ 7,47 milhões) e lucro de 413 milhões de ienes (US$ 2,59 milhões). As vendas em lojas físicas próprias geraram 3,906 bilhões de ienes (US$ 24,48 milhões) em receita e lucro de 1,111 bilhão de ienes (US$ 6,97 milhões), enquanto o canal direto ao consumidor via e-commerce movimentou 3,019 bilhões de ienes (US$ 18,93 milhões) em vendas, com lucro de 766 milhões de ienes (US$ 4,80 milhões).
Segundo a empresa, a experiência presencial nas lojas foi determinante para a conversão de turistas e clientes locais. A loja principal no distrito de Ginza, em Tóquio, bateu recorde histórico de vendas mensais em maio de 2026.
Apesar da recuperação operacional, a Ya-Man manteve um tom cauteloso para o restante do ano fiscal. A diretoria citou fatores de risco no cenário macroeconômico doméstico e global, incluindo a inflação contínua e a escassez de mão de obra no Japão, além da volatilidade nos preços de insumos e petróleo decorrente de tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas nas políticas comerciais internacionais.





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