Omora Beauty Lab entra no Sephora Accelerate com maquiagem para pele acneica
A Omora Beauty Lab desenvolve maquiagens de prestígio para peles acneicas e sensíveis e se prepara para acelerar seu crescimento no programa da Sephora.
“Eu provavelmente nunca vou postar isso. Estou tremendo. Acho que é um tiro no escuro, mas estou torcendo”, disse Jenna Morales Ledbetter, fundadora da Omora Beauty Lab, em um vídeo gravado antes de saber se seria selecionada para o programa Sephora Accelerate 2026. “Só queria registrar como estava me sentindo.” No vídeo seguinte, a jovem empreendedora continuava tremendo, mas por um motivo bem diferente: ela acabara de descobrir que era uma das 12 fundadoras escolhidas para a incubadora do varejista global.
O momento marcou o fechamento de um ciclo para a fundadora de 26 anos. A ideia da Omora — cujo nome combina o sobrenome de solteira de sua mãe, Morales, com a palavra amor — nasceu após uma experiência de compras na Sephora, sua loja de beleza favorita. Naquela ocasião, o corretivo que costumava usar estava esgotado. Ela passou quase uma hora analisando listas de ingredientes em sites especializados como AcneClinicNYC e INCIDecoder. Para sua frustração, nenhuma das fórmulas disponíveis atendia aos critérios exigidos por sua pele acneica e sensível. “Eu queria poder entrar em uma loja e encontrar uma linha inteira sem precisar pesquisar no Google cada ingrediente para saber se funcionaria na minha pele”, afirma.
Ledbetter também tinha outra motivação. Com bacharelado em psicologia pelo Pitzer College e mestrado em saúde mental pública pela Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, ela construiu a maior parte de sua carreira em pesquisa na área de saúde antes de se tornar criadora de conteúdo de beleza. Sua bagagem acadêmica, somada ao impacto psíquico que a acne e as dermatoses causam na autoestima — algo que vivenciou na pele —, impulsionou o desejo de criar produtos capazes de devolver a confiança dos consumidores.
A Omora Beauty Lab estreou na venda direta ao consumidor (DTC) em maio com o corretivo Soft Cover Concealer em sete tonalidades (US$ 34), o bronzer líquido Sun Kissed Glow em três cores (US$ 30) e o tonalizante para lábios e bochechas Rose Flush Lip and Cheek Tint em tom único (US$ 30) — que se tornou o item mais vendido da marca.
Em vez de seguir com os planos de cursar um doutorado em políticas de saúde, especialmente diante das transformações no cenário de saúde pública, Ledbetter decidiu investir em sua paixão. O resultado é a Omora, uma marca de maquiagem limpa (clean beauty) focada em produtos de pele para consumidores com tendência a acne e sensibilidade cutânea.
“Eu queria levar um padrão de beleza de prestígio para quem sofre com acne e pele sensível e não encontra opções com esse apelo no mercado”, explica a executiva. Ela ressalta que era fundamental desenvolver embalagens refinadas, que os consumidores tivessem orgulho de exibir na bancada, em contraste com as soluções clínicas visivelmente austeras recomendadas por dermatologistas. O potencial desse segmento é expressivo: a acne é a condição dermatológica mais frequente nos Estados Unidos, atingindo até 50 milhões de pessoas por ano, segundo a Academia Americana de Dermatologia. O consumo de tratamentos prescritos e de venda livre no país movimenta mais de US$ 5,3 bilhões, segundo a consultoria Grand View Research. Além disso, o relatório inaugural State of Skin Sensitivity, da Aveeno, revelou que 71% dos adultos consideram ter algum grau de sensibilidade na pele. O apetite do consumidor por fórmulas funcionais acompanha o ritmo em que o mercado de beleza dos Estados Unidos cresce em categorias de alto desempenho.
Embora a acne costume ser associada à adolescência, a crise de Ledbetter começou na faculdade. “Surgiu praticamente da noite para o dia. Tinha acne cística avermelhada por todo o rosto”, recorda. Ela destaca que a acne adulta pode ser desestabilizadora para a saúde mental de jovens mulheres: “É uma situação totalmente diferente de quando se é adolescente e todos ao redor passam por isso.” Com sua experiência em pesquisa, ela encarou a própria pele como um problema científico a ser resolvido. Aprofundou-se em estudos dermatológicos, análises de ingredientes e pesquisas sobre inflamação, barreira cutânea e patogênese da acne. No processo, percebeu que, enquanto os tratamentos tradicionais focavam em desengordurar e esfoliar a pele de forma agressiva, sua barreira cutânea danificada precisava exatamente do oposto.
“Meu dermatologista continuava prescrevendo ativos cada vez mais fortes. Minha pele doía todos os dias — não pela acne em si, mas porque estava extremamente seca e inflamada”, conta. Ledbetter alterou a dieta, a rotina de exercícios e até o sabão em pó. “Eu tentava identificar constantemente o gatilho da crise.” Aos poucos, migrou para cuidados focados no reforço da barreira cutânea, eliminando fragrâncias, óleos essenciais e ingredientes comedogênicos. Encontrar cosméticos de skincare tornou-se viável, mas a maquiagem permaneceu um desafio. “Eu já tinha investido muito dinheiro na recuperação da minha pele. Não valia a pena arriscar experimentos. Eu precisava desenvolver algo absolutamente seguro e limpo”, afirma.
Ao iniciar o desenvolvimento de suas próprias fórmulas, a fundadora enfrentou barreiras nos laboratórios terceirizados. “Os fabricantes diziam que não podiam entregar a performance desejada com a seleção restrita de ingredientes que eu exigia, ou impunham quantidades mínimas de pedido (MOQ) de 10.000 unidades por tonalidade. Eu não estava disposta a ceder na formulação. Tinha uma lista rigorosa do que podia e do que não podia entrar”, lembra. “Quando os fabricantes me perguntavam se eu era química cosmética, eu respondia: ‘Não, apenas tive uma acne muito grave e muito tempo para pesquisar.’” O cenário mudou quando encontrou um fornecedor de pequeno porte, liderado por uma mulher, disposto a colaborar em modelo parceiro de Original Design Manufacturer (ODM). Juntas, desenvolveram fórmulas que combinam maquiagem de alta cobertura com ativos de suporte à barreira cutânea, como ceramidas, esqualano e extrato de chá-verde, excluindo essências, óleos essenciais e agentes conhecidos por desencadear erupções.
A linha da Omora Beauty Lab foi lançada no e-commerce próprio em maio com sete tons de corretivo Soft Cover (US$ 34), três tons de bronzer líquido Sun Kissed Glow (US$ 30) e o tonalizante labial e para bochechas Rose Flush (US$ 30), atual campeão de vendas. Ledbetter planeja expandir o portfólio, mas pretende manter o foco estrito em produtos para a tez. “Eu não lançaria uma máscara de cílios”, reforça.
Embora a marca tenha nascido da experiência pessoal da fundadora com a acne adulta, a base de clientes já supera esse perfil demográfico. “Minha avó usa os produtos diariamente e me conta com orgulho sobre os elogios que recebe”, compartilha. Financiada com recursos próprios e uma pequena rodada inicial entre familiares e amigos, Ledbetter mudou-se do nordeste dos EUA para a Califórnia em busca de maior proximidade com a rede de contatos da indústria da beleza. Para manter o caixa da empresa equilibrado enquanto estrutura a marca, ela concilia o negócio com trabalhos paralelos como instrutora na rede de fitness Solidcore, consultoria educacional e tutoria acadêmica. Seguir uma trajetória independente sem capital externo exige cautela financeira contínua na alocação de recursos.
A gestão de custos da marca exige escolhas criteriosas, mas Ledbetter não hesitou em contratar uma assessoria especializada em regulação da FDA por US$ 400 a hora para garantir conformidade regulatória nas rotulagens. O órgão regulador norte-americano estabelece exigências estritas de embalagem, desde a proporção tipográfica da lista de ingredientes até o posicionamento e orientação do nome do produto no rótulo. “O risco de cometer um erro e ter retrabalho não valia a pena”, afirma a executiva, que precisou alterar a orientação do nome da marca de vertical para horizontal e ajustar corpo de fonte e layout técnico das especificações do produto.
A fundadora também direcionou orçamento substancial para testes clínicos dermatológicos de segurança e eficácia. “Para conquistar a confiança de consumidores com acne e pele sensível, as formulações precisam apresentar tolerância e desempenho impecáveis desde o primeiro dia.” No marketing digital, ela adota uma estratégia analítica. Testando canais no ecossistema de redes sociais, percebeu, por exemplo, que menções de grandes influenciadores nem sempre se convertem em vendas diretas. Ela também avalia o retorno de ações presenciais pop-up e iniciativas de base (grassroots). Ledbetter compartilha os bastidores da jornada da Omora abertamente em perfis sociais, registrando conquistas e obstáculos reais — uma estratégia de construção de audiência iniciada seis meses antes do lançamento oficial.
Sem divulgar metas financeiras, Ledbetter cita como inspiração Cassandra Morales Thurswell, fundadora e CEO da Kitsch, marca que atingiu o patamar estimado de US$ 500 milhões em receita sem captação de investimento institucional. Após assistir a uma palestra de Thurswell, o principal aprendizado da empreendedora foi priorizar a consistência operacional em vez de perseguir o crescimento pelo crescimento ou aceitar todas as oportunidades sem foco estratégico.
Do programa Sephora Accelerate, a executiva espera extrair principalmente mentoria e construir conexões com outros fundadores do setor. “Como venho de fora da indústria cosmética, quero aprender com quem tem bagagem e já percorreu etapas à minha frente”, observa. Compreender as exigências para o ambiente de varejo físico e escalabilidade operacional é outro pilar essencial. Embora vise à entrada em redes multimarcas de grande porte no futuro, ela reconhece o valor de avançar de forma faseada. Nas redes sociais, publicações sobre a nova turma da incubadora destacaram a marca por cobrir uma lacuna histórica na maquiagem para peles com tendência acneica.
Criado em 2016, o Sephora Accelerate já impulsionou diversas marcas emergentes na indústria da beleza, incluindo nomes como Eadem, Kulfi, Topicals, Bounce Curl e Oliviaumma. Os integrantes da turma deste ano terão acesso ao Sephora Impact Summit e poderão concorrer à subvenção de US$ 100.000 do programa Sephora Beauty Grant.


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