20 de agosto de 2026

Estée Lauder registra alta de 6% nas vendas no 4º trimestre

Vendas da Estée Lauder sobem para US$ 3,6 bilhões no 4º trimestre impulsionadas pela recuperação na China continental e pelo crescimento em fragrâncias.

Kathryn Hopkins
6 min de leitura
Estée Lauder registra alta de 6% nas vendas no 4º trimestre

Após anos desafiadores, o plano de reestruturação do grupo norte-americano The Estée Lauder Cos. continua ganhando tração. A gigante dos cosméticos — dona de marcas como Estée Lauder, Clinique, Deciem e Bobbi Brown — informou que suas vendas líquidas cresceram 6% no quarto trimestre do ano fiscal, atingindo US$ 3,6 bilhões e superando as estimativas de Wall Street, que previa US$ 3,54 bilhões.

O desempenho no trimestre refletiu a expansão em todas as regiões geográficas. O avanço das vendas agradou ao mercado financeiro, fazendo com que as ações da companhia subissem mais de 16%, cotadas a US$ 98,01. Os resultados chegam no momento em que a indústria da beleza avalia o balanço do 1º semestre e as lições para o setor de beleza, com investidores atentos ao ritmo de recuperação dos conglomerados globais.

No quarto trimestre, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 116 milhões (ou prejuízo diluído por ação ordinária de US$ 0,32), uma redução expressiva em relação ao prejuízo de US$ 546 milhões (US$ 1,51 por ação) registrado no mesmo período do ano anterior. Em bases ajustadas, o lucro líquido por ação subiu para US$ 0,39, ante US$ 0,09 no ano anterior.

“Estamos voltando a crescer”, afirmou Stéphane de La Faverie, presidente e CEO da Estée Lauder Cos., em conversa com jornalistas. “Encerramos o ano fiscal de 2026 com o nosso trimestre mais forte do exercício e um dos mais expressivos dos últimos anos, o que me dá total confiança na direção que estamos seguindo. Também mudamos fundamentalmente a forma como operamos como empresa.”

No acumulado do ano fiscal de 2026, as vendas líquidas do grupo subiram 5%, alcançando US$ 15 bilhões, com lucro líquido de US$ 517 milhões — revertendo o prejuízo de US$ 1,04 bilhão sobre vendas de US$ 14,3 bilhões no exercício anterior. A categoria de cuidados com a pele liderou o desempenho, com alta de 4% nas vendas líquidas, impulsionada por marcas como La Mer, The Ordinary e Estée Lauder. Já a categoria de maquiagem ficou estável, uma vez que o crescimento de MAC e Tom Ford foi anulado pela retratação em Bobbi Brown e Too Faced.

De La Faverie afirmou aos analistas que pretende reforçar os investimentos em maquiagem. “Temos algumas das marcas líderes da categoria, a começar pela MAC. Portanto, planejamos acelerar esse segmento e enfrentar diretamente os desafios vivenciados por outras marcas no passado”, declarou o executivo.

Em julho, o conglomerado anunciou que manterá as marcas Smashbox, Too Faced e Dr.Jart+ em seu portfólio. Embora a empresa nunca tenha confirmado formalmente a intenção de vendê-las, fontes do setor indicaram que o trio esteve no mercado enquanto assessores financeiros revisavam a estrutura de ativos. Como parte da estratégia para revalorizar essas marcas, a Too Faced passará a ser gerida a partir de Nova York, integrando o núcleo de maquiagem do grupo, em vez da Califórnia.

No segmento de fragrâncias, as vendas líquidas saltaram 10%, impulsionadas pelo desempenho de Le Labo, Tom Ford e Kilian Paris. Em contrapartida, os produtos para cuidados com os cabelos recuaram 1%, pressionados pelo desempenho da Aveda. A empresa destacou ainda que seu portfólio agora conta com seis marcas bilionárias em faturamento no ano fiscal de 2026, com o ingresso de Jo Malone London e Tom Ford nessa marca histórica.

Geograficamente, a companhia registrou avanço de 1% nas Américas e 12% na China continental, demonstrando recuperação em dois de seus principais mercados. Esse sinal de retomada na Ásia acompanha movimentos observados no ecossistema local, no qual distribuidores e marcas reposicionam operações para capturar a retomada de marcas internacionais no mercado chinês.

Em relação ao varejo de viagem (travel retail), De La Faverie informou que o canal responde atualmente por 15% das vendas totais, ante cerca de 28% em 2021.

“Em junho e julho, voltamos a crescer no travel retail global pela primeira vez em três anos. Estamos observando a recuperação do tráfego nos aeroportos chineses e o aumento das viagens na região da Ásia-Pacífico”, destacou o executivo. “Trabalhar com o varejo de viagem representando cerca de 15% dos nossos negócios é o patamar ideal para o futuro, reduzindo nossa dependência de um único canal.”

Para o ano fiscal de 2027, a Estée Lauder projeta crescimento das vendas líquidas entre 3% e 5%, com maior aceleração prevista para o primeiro semestre. A empresa projeta avanço contínuo em fragrâncias e cuidados com a pele, além do retorno ao crescimento na categoria de maquiagem no consolidado do ano. A margem operacional ajustada é estimada entre 12,7% e 13,5%.

Oliver Chen, analista da TD Cowen, avaliou que o foco dos investidores migra para a sustentabilidade da aceleração dos ganhos nos próximos exercícios. “Os principais debates agora giram em torno do potencial de lucro restante, da sustentabilidade do crescimento na América do Norte, da manutenção do desempenho na China diante de bases comparativas mais exigentes e da velocidade de recuperação da maquiagem”, apontou.

No campo de fusões e aquisições (M&A), após o fim das negociações de fusão com o grupo Puig em maio, De La Faverie afirmou permanecer atento a oportunidades estratégicas. “Se surgirem oportunidades capazes de complementar nosso portfólio, diversificar o crescimento e ser adquiridas pelo preço correto criando valor para os acionistas, nós sempre avaliaremos”, disse.

A empresa também registrou desdobramentos na questão tarifária: no quarto trimestre do exercício de 2026, a Estée Lauder solicitou o reembolso de tarifas alfandegárias elegíveis e começou a receber a devolução dos valores, contabilizando um benefício de US$ 38 milhões no custo das mercadorias vendidas. O montante mitigou parcialmente o impacto bruto anual das tarifas adicionais, estimado em US$ 102 milhões.

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