Dolce Glow capta US$ 11 mi em rodada Série A liderada pela CAVU
A Dolce Glow captou US$ 11 milhões em rodada Série A liderada pela CAVU Consumer Partners para expandir sua distribuição no varejo e linha de produtos.
A Dolce Glow, marca que se tornou a número um em autobronzeamento na Sephora em seis meses de operação na rede, concluiu uma rodada de investimentos Série A de US$ 11 milhões liderada pela gestora CAVU Consumer Partners.
Fundada pela especialista em bronzeamento Isabel Alysa Vita — que atende personalidades como Kim Kardashian, Kylie Jenner, Jennifer Lopez, Selena Gomez e Miley Cyrus —, a marca aplicará o capital no reforço de estoque, expansão da distribuição no varejo, inovação de produtos e ampliação da equipe. Esta é a primeira captação institucional da empresa. A cantora Miley Cyrus já havia investido na marca em 2023, e a Dolce Glow captou US$ 11 milhões em financiamento Série A contando também com a participação de Sofia Richie Grainge, Olivia Culpo, Jaclyn Hill, Brianna LaPaglia e Ash Holm.
“O objetivo de longo prazo é transformar a empresa em uma marca de mais de US$ 100 milhões, continuar expandindo na categoria e assumir a liderança do segmento”, afirma Vita. “A CAVU certamente nos ajudará a alcançar essa meta.”
“A categoria de autobronzeadores sem exposição solar está aquecida, e estamos entusiasmados com a adequação entre produto e mercado que a Dolce Glow alcançou”, afirmou um porta-voz da CAVU. “Mais do que isso, estamos impressionados com o alinhamento entre a fundadora, o mercado e o produto que Isabel traz para a marca e seu público. Costumamos investir em criadores e líderes de categoria, papel que a Dolce Glow demonstrou desempenhar.”
Após atender profissionais de bronzeamento a jato a partir de 2017 — atividade iniciada por Vita em 2015 como renda extra —, a executiva lançou a linha de autobronzeadores voltada ao consumidor final em 2021, trazendo itens como o spray Dolce Self-Tanning Mist, a mousse Lusso Self-Tanning Mousse e loções de bronzeamento gradual. Posicionada como uma marca premium de inspiração italiana integrada com ativos de cuidados com a pele (skincare), a empresa conta atualmente com cerca de 20 unidades de manutenção de estoque (SKUs), com preços concentrados entre US$ 28 e US$ 49.
Em 2025, Vita lançou a marca irmã Sunnee BaeSkin, focada no público jovem e com faixa de preço inferior, comercializada exclusivamente na rede Ulta Beauty. Na época, estimativas do setor publicadas pela revista Women's Wear Daily indicavam uma projeção de receita de US$ 3 milhões a US$ 6 milhões no primeiro ano. A Dolce Glow não divulgou o faturamento anual total. Além de estar presente em 392 lojas da Sephora e em estúdios profissionais, a marca é vendida por varejistas como Nordstrom, Ulta, Revolve, Macy’s e QVC. O varejo responde por cerca de 60% das vendas, sustentado por uma rede de 200 profissionais de bronzeamento que realizam treinamentos para os pontos de venda.
Sobre a estreia na Sephora, Vita relata: “Esgotamos o estoque em dois ou três dias. A produtividade nas lojas da Sephora tem sido altíssima.”
No portfólio da CAVU, a Dolce Glow junta-se a marcas de beleza e bem-estar como Topicals, Nécessaire, 4AM, Whoop, Recess, Noom, Thrive Market e Beekeeper’s Naturals. A gestora possui histórico de acelerar empresas até a saída (exit), tendo desinvestido com sucesso de marcas como Hims & Hers, OSEA, Poppi e Vital Proteins. No início deste ano, a empresa encerrou a captação de seu quinto fundo no valor de US$ 325 milhões, superando a meta inicial, e administra cerca de US$ 1,4 bilhão em ativos.
“O objetivo de longo prazo é transformar a empresa em uma marca de mais de US$ 100 milhões.”
A CAVU busca marcas com formulações limpas e ingredientes benéficos à saúde — a Dolce Glow se posiciona como marca de beleza limpa (clean beauty), vegana e livre de crueldade animal (cruelty-free) — que tragam inovação a categorias estagnadas. “A 4AM exemplifica isso ao reinventar os lenços demaquilantes, um mercado bilionário dominado por grandes marcas tradicionais que pouco inovavam, transformando-os em lenços infusionados com sérum”, explica o porta-voz da CAVU. “O mesmo ocorre com a Dolce Glow, que resolveu problemas frequentes de manchas na aplicação ao reformular os autobronzeadores.”
Além de manchas, reclamações como odor forte, irritação cutânea e tonalidade artificial são desafios comuns no segmento de autobronzeadores que a marca busca superar. A empresa também expande o escopo de seus produtos: recentemente, lançou o Blush Me Flushed, apresentado como o primeiro bastão de contorno e blush autobronzeador do mercado. Para os próximos passos, Vita estuda desenvolver protetores solares compatíveis com o bronzeado e produtos para cuidados corporais.
O mercado global de autobronzeadores foi avaliado em US$ 1,22 bilhão em 2025 e deve alcançar US$ 2,4 bilhões até 2034, com taxa de crescimento anual composta (CAGR) de quase 8%, segundo dados da Fortune Business Insights. Embora represente uma fração do mercado global de beleza e cuidados pessoais (estimado em US$ 635 bilhões), o segmento tem registrado movimentações relevantes de fusões e aquisições (M&A).
Em 2023, o grupo japonês Kao adquirindo a Bondi Sands por cerca de US$ 300 milhões. Em 2020, a Yellow Wood Partners comprou o controle da Future Beauty Labs, proprietária das marcas Tan-Luxe, Isle of Paradise e Tanologist. O segmento também registrou investimentos em marcas como Loving Tan e Vita Liberata.
A captação de capital de risco atraiu forte interesse do mercado. Vita revela que recebeu compromissos verbais de três a quatro investidores e duas propostas formais (term sheets) além da proposta da CAVU. Mesmo em um cenário em que fundadores de marcas de beleza recorrem às redes para buscar compradores ou fechar aportes emergenciais, Vita priorizou o controle da empresa, recusando termos que reduziriam seus direitos de voto. Para proteger sua governança, ela recorreu aos conselhos de Jamie Kern Lima, cofundadora da IT Cosmetics, vendida para a L’Oréal por US$ 1,2 bilhão em 2016.
“Construí esta empresa praticamente sozinha ao longo dos anos e era fundamental continuar como CEO, preservar meus direitos de voto e manter o controle estratégico”, destaca Vita. “Consegui assegurar a decisão final sobre o negócio.”


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