29 de julho de 2026
Leis e regulações

Shein revela investigação do FTC nos EUA e alerta para possível multa milionária

Em documentos para seu IPO em Hong Kong, a Shein revelou estar sob investigação do FTC por práticas comerciais, o que pode resultar em pesadas multas.

CNBC
Por CNBC
3 min de leitura
Shein revela investigação do FTC nos EUA e alerta para possível multa milionária

A gigante do fast-fashion Shein revelou, em documentos relacionados à sua futura oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong, que suas operações de comércio eletrônico nos Estados Unidos estão sendo investigadas pela Federal Trade Commission (FTC), a comissão federal de comércio do país.

Nos documentos apresentados, a empresa de origem chinesa não especificou o objeto da investigação do FTC, mas esta parece ser a primeira divulgação pública sobre o caso.

“Estamos cooperando ativamente com o FTC. Embora exista a possibilidade de chegarmos a um acordo com o órgão, atualmente não podemos prever o resultado provável da investigação nem o cronograma para sua conclusão, e não descartamos a possibilidade de um acordo em um futuro próximo”, declarou a Shein nos documentos enviados à operadora da Bolsa de Valores de Hong Kong.

A empresa acrescentou: “O resultado da investigação, seja por meio de um acordo ou de outra forma, pode exigir o pagamento de quantias significativas, o que pode ter um efeito adverso relevante em nossa condição financeira e nos resultados de nossas operações”.

O FTC se recusou a comentar. A CNBC entrou em contato com a Shein para obter mais informações, mas não obteve resposta.

O FTC é o principal órgão de proteção ao consumidor nos Estados Unidos, com a missão de coibir “práticas comerciais enganosas ou desleais”.

Anteriormente, a agência já investigou diversas empresas por suprimir avaliações negativas, cobrar taxas ocultas, adotar preços enganosos, apresentar irregularidades nos processos de envio e reembolso, além de questões relacionadas à privacidade e segurança de dados.

Uma das principais áreas de foco do FTC em leis e regulações são os chamados “padrões escuros” (dark patterns), descritos pelo órgão como “técnicas de design e táticas psicológicas — como caixas de seleção pré-marcadas, termos de uso difíceis de encontrar e ler, e políticas de cancelamento confusas — criadas para induzir os consumidores a abrir mão de seu dinheiro ou de seus dados”.

A Shein é amplamente conhecida pelas táticas em seu aplicativo, como cronômetros de contagem regressiva, descontos gamificados e vendas relâmpago, projetadas para criar um senso de urgência e incentivar o consumo por impulso, impactando negativamente a experiência do consumidor.

Em um relatório de 2022 que detalhava essas táticas de manipulação digital, o FTC citou especificamente os cronômetros de contagem regressiva como um exemplo comum de “padrão escuro”.

A Shein, que ganhou enorme popularidade global após a pandemia, tentou anteriormente abrir capital nos EUA, mas enfrentou forte resistência devido às suas práticas comerciais. A empresa então direcionou seus planos para Londres, sem sucesso, antes de finalmente optar por Hong Kong. Recentemente, a varejista registrou prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre sob o impacto de novas tarifas, evidenciando os desafios financeiros que enfrenta enquanto tenta viabilizar sua estreia na bolsa de Hong Kong, que já teve o pedido de listagem aprovado, embora a data de início das negociações continue incerta.

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